23 de set de 2010

NOS LIBERTANDO

Hoje acordei pensando em tua gaiola
Percebi que te manti prisioneiro por muitos anos
Agora essa prisão sufoca a mim.
Não me traz mais felicidade te ter por perto
Se ao menos sorrisse, se voasse...
Vejo tuas asas baixas, teu canto emudeceu...
Não come nem bebe e eu acreditava que mudaria.
Estive tão enganada esses anos
Meu lindo Bem Te Vi, te amo tanto
Prefiro ver-te livre e feliz
Pode ir quando quiser!
Vá, se for trazer algum sentido para a vida
Voe por todos os céus e conheça lugares distantes.
Não uma Ave Noturna, um lindo Bem Te Vi.
Nem guardo e nem sinto saudade de tua gaiola.
Por enquanto uma nostalgia
Esse sentimento de liberdade ainda é novo
Aliás, é tudo muito novo para mim.
Parece que sonhei com coisas mágicas
E acordei com um coração diferente.
Por favor, não volte!
Não quero mais te manter aqui, vá para longe.
Não quero lembrar que na verdade
Fui eu quem estive naquela gaiola por anos
E foram os meus sonhos os aprisionados
E as minhas vontades não satisfeitas
Enquanto você estava livre em seu mundo.
Então vá Bem Te Vi, enfim estamos livres!

12 de set de 2010

DOMINGO FILOSÓFICO

Bebendo, fumando, fudendo...
Assim descobrimos que somos seres humanos
E sentimos, mesmo que por poucos momentos.

Mas se quisermos descobrir que “HUMANO”
Quer dizer muitos mais do que:
Relativo ao homem, humanitário.
Podemos...

Todas as idéias questionáveis
Estão diante de nós.
O ser humano é muito mais que carne e osso,
Tivemos um sopro de vida.

A ignorância não é uma benção.
Ignorância é ilusão ou falta de oportunidade!
Conhecimento é uma benção!
E ele está ao nosso alcance, basta querer.

Todos, somos capazes de descobrir a verdade.
Não precisamos de Jornal Nacional ou Globo Repórter.
Precisamos nos questionar.
O que é? Como é? Por que é?

Talvez não existam respostas concretas.
Mas existem perguntas.
O que nos impulsiona ao questionamento
É o que nos transforma em SER HUMANO.

Aquele além dos prazeres e das vontades
Aquele que almoça e janta, ou não...
Mas está ali, sentado a mesa,
Que está entre todos e ninguém.

Existe um abismo dentro do homem
Morrer ou estar morto
Todos andamos e falamos
Alguns já estão mortos.

Até o momento em que descobrem!

6 de set de 2010

AMADO DESCONHECIDO

Não sei mais fazer amor ou por amor
Quero antes uma garrafa de vinho
Taças de cristal para dar um certo charme
Um sorriso, por favor seja gentil.

Essa noite fingiremos que nos amamos
Que esperamos muitos anos por esse momento
Que enfim possuiremos o corpo desejado
E faremos amor! Não sexo.

Assim podemos ser quem quisermos
Jovens, velhos, amantes, amados
Só uma noite e estará tudo acabado,
Sem nenhum remorso ou culpa.

Você dirá baixinho no meu ouvido que me ama
Te retribuirei com um sorriso e olhar baixo
Enquanto desabotôo sua camisa pra não perder tempo
Vamos trancar a porta, ninguém precisa ficar sabendo.

Essa será nossa noite perfeita!
Dois belos desconhecidos que sempre se amaram
Enfim sacia sua sede em meus lábios
E nos amaremos, pelo menos até o amanhecer.

DE NOVO AQUI

Era doce sentir seus lábios em meu colo
Enquanto me esquivava dos objetos em cima da cama
Derrubamos alguns deles aos beijos e gargalhadas
No meio da noite enquanto todos dormiam.

O esforço e as lembranças cada vez mais intensas
Deitada em seu peito ouvi seu coração batendo forte
Era uma vez mais aquela menina
Agora num corpo de mulher desejando amor.

Num misto de desejo e loucura nossos beijos,
Aquelas carícias que trocamos no escuro
Misturando nosso suor e saliva
Sentindo o gosto da pele e da alma em chamas.

Depois sentir seu peso e seus detalhes
Agarrada em teu ombro com força
Sentindo tua força atravessar minha carne
E sua boca arrancar minha sanidade.

Desfalecer em seus braços
Ouvindo apenas mais uma respiração ofegante
Acariciando seu peito que esteve tão distante

POEMA DO PERDÃO

Perdoe-me
Se fui ingênua demais,
Eu nada conhecia do mundo
Enquanto você já havia caminhado
Uma longa estrada.

Perdoe-me
Se te fiz derramar uma lágrima
Nada há que me arrependa tanto
Quanto saber que sofreu por mim
Quando tudo que quero é um sorriso seu.

Perdoe-me
Por ter perdido a razão por um momento
Esquecido toda a paixão de nossos lençóis
Saiba que todas as chagas doem
Não há curativos que as façam curar.

Por favor perdoe-me
Ainda sonho em estar nos seus braços
Gozando da tua companhia e carinho
Sentindo suas mãos em meus cabelos
E seu beijo que ainda amo tanto.

23.

Eu sempre quis fazer coisas cheias de significados. Depois de quase vinte e três anos as coisas perdem cada vez mais o sentido. Às vezes me pego pensando em coisas e duvido que fui capaz de fazê-lo. Algumas horas descubro que estou errada ou que estou certa. Na realidade, a realidade, não existe. Coisas certas ou certezas, o mundo muda o tempo todo, posso estar em Paris ou no Afeganistão e meu lar sempre estará comigo. Como vampiros que carregam a terra do túmulo consigo, me sinto carregando os restos mortais também, o que restou do que fui. Hoje sou muito melhor é claro! Descobri que sou capaz de dar risada das derrotas e sorrir para o inimigo, embora o inimigo seja sempre aquele que quero perto de mim, mas ele não sabe. Prefiro assim. Depois de um tempo percebi que não preciso dizer a verdade o tempo todo, alguns momentos nem importa o que diga, eles não ouvem... Ou ouvem só o que querem. Percebi que tenho o direito de usar uma “máscara” ou ter uma postura diferente e ainda assim continuar sendo eu mesma, sempre a mesma pessoa. Não é errado. Não é pecado desejar! Não é pecado arriscar, se entregar. É bom. Vejo quando os pelinhos do meu braço se arrepiam, é nesse momento que me sinto livre e sou capaz de esquecer qualquer coisa ao meu redor, assim sou livre. Gosto de fechar os olhos e virar a cabeça para cima quando estou na praia no verão, eu me sinto expandir, me sinto livre também, eu posso ser quem quiser ou ser ninguém. Adoro ir a praia no verão. Sentar no sol para secar o cabelo cheio de sal e gotas do mar. Era tão divertido aqueles dias de verão com minhas lembranças mais queridas, elas bebiam e dançavam comigo. Agora tenho apenas minhas lembranças, mas ainda gosto de ir a praia no verão. Na verdade eu posso fazer qualquer coisa sorrindo e brincando. Agora estou numa brincadeira muito legal, é um jogo quem conseguir ir até o final, ganha. É assim: eu crio um personagem, com uma personalidade, com amigos, família e preciso sustentar a idéia de ser alguém diferente sempre. Preciso ser a última a desistir. Então ganho! Ganho?

5 de set de 2010

24.08.2010

Um velho homem negro, impunhando sua bengala, tentava a custo e esforço rasgar aquele imenso deserto entre uma calçada e outra. Estávamos entre monstros metálicos, compostos por rodas e vidros, e sua paciência não era compatível com a força que tinha. Ele tremia e ofegava e suava e olhava as pessoas em volta como se quisesse absorver um pouco da juventude dos demais, mesmo esse esforço era em vão. Após alguns minutos pude ver aquele homem chegar ao outro lado com sua bengala e suas sacolas e fiquei triste ao perceber que somos como o vento, bons ou ruins nós passaremos, independente de ter alguém nos vendo ou ouvindo.

06.08.2010

O impossível. O improvável.
Um palito foi riscado, nasceu a inspiração.
Quadro a quadro, detalhes e defeitos imperceptíveis.
Os pequenos atos que mudam todo o curso
E você continua ai, sentado, fumando seu cigarro,
Levantando o copo gole a gole
Achando que não está preparado
Enquanto eles te observão e torturam
Enquanto todos mudam seu curso.
Todos estamos em movimento,
Trago e gole um passo de cada vez.
Você se achava um despercebido,
Mas puxando o gatinho tudo muda
As cores mudam, o cheiro muda.
Fique calmo, levante devagar,
Sem movimentos bruscos,
Apague o cigarro, tome o último gole,
Puxe o gatinho e comece a viver.

09.07.2010

Eu não ouvia meus passos tocarem o chão
E sentia uma estranha sensação de liberdade
Nunca antes experimentada
Havia um “Big Bang” dentro de mim
Explosão essa que deu origem
A novas células e “seres”.
Agora eu tinha células que pensam,
Células que sentem,
Células que são de alguma forma
Ou de qualquer forma.
Um recomeço...
E o que eu queria mesmo
Era uma nova chance
Para retirar as pedras do caminho
Algumas ainda estão lá,
Virarão monolitos sagrados.
Eu me perdôo e vou superar
Aproveito minha nova liberdade
Deixo que mude minha vida
E enfim cresça
Afinal explosões também matam
E um dia posso não resistir.

EU NÃO SOU EU

Eu não sou eu, porque o eu já não existe.
É uma triste mistura de nós e eles.
Que disfarça toda vez que alguém percebe.

Que detona toda vez que alguém arrisca.
O não saber que a gente está sofrendo
Pois toda vez que olha no olho o olhar é fugidio.

Eles simplesmente fingem que estão vivendo,
Nós poupamos água e reciclamos lixo!
Ainda nos deixando influenciar pela hipocrisia
E todos ficam felizes com seus sorvetes.

PLANOS

Gostaria muito que depois de alguns anos, morando na metrópole, pela facilidade, trabalho e demais funções práticas do dia a dia, mudássemos para uma casinha perto do mar.
Um lugar que fosse mais que uma casa, mas um refúgio. Onde pudéssemos fazer o jantar olhando os barcos no mar e jantar na varanda, onde o vento fresco desarrumaria todo meu cabelo divertidamente e levasse os guardanapos da mesa onde ficaríamos bebendo nosso vinho favorito abraçados por horas, lembrando nossos bons momentos juntos.
Quero uma casa brilhando ao sol, que possa abrigar todos os nossos sonhos, que transforme todos os nódulos de tensão em prazer.
Depois do vinho, fazer amor vendo o nascer do sol e sentir seus raios esquentando as costas, então tomar seu café que gosto tanto enrolada na varando, enquanto você volta pra cama para aproveitar um pouco mais a preguiça do domingo...
Aguardo ansiosa sua volta, para dividir com você todos os planos.

SONHO NO LAGO

Incrivelmente às vezes parecemos estar perdendo tempo. Como oportunidades que perdemos sempre esperando algo melhor. E será que esse algo chegará? Será que estaremos vivos até lá? Será que o tempo ou o destino nos permitirá encontrar esse algo que tanto queremos? A resposta? Não há respostas! Apenas a certeza de que é preciso viver. Não dá para acreditar que encontraremos o nosso sonho. A vida não é um filme. Não dá para retroceder e ver sempre a cena que mais gostamos. Dois anos em um filme duram dois minutos. Não temos todo esse tempo. Não dá para esperar um presente na caixa de correio. Não é uma fantasia de pisciana. Não é um conto de fadas, mas é tão difícil conviver com isso. Ter uma certeza ou um sonho, algo que parece que sempre foi desejado. Um desejo que nunca esquecemos ou às vezes não pensamos. Alguma coisa que ficou faltando em algum momento. Alguém que esquecemos no meio do caminho, deixamos ir. Seria fácil se não fizesse falta agora. Não podemos simplesmente voltar no tempo e achar o que foi perdido se nem sabemos aonde. Como se no meio da multidão, um olhar fosse apenas para mim. Ainda espero esse olhar em meus sonhos. Alguém que não conheço, mas que me apaixonei. Alguém que não sei o nome ou a idade, não sei onde mora ou o que faz da vida, alguém que definitivamente não sei como é... Mas que estou esperando. Tenho a sensação de estar esperando. Talvez em meus sonhos.

IDADE PRA VOCÊ

A idade foi o maior presente que já ganhei.
Quanto mais nova eu era, mais achava que não. E tive muitas pessoas coerentes comigo para afirmar. Depois de um tempo subindo muito, qualquer descuido é um tombo muito grande. Depois de uma sucessão de tombos conheci o inferno. Engraçado ver que não é como pintam. Durante muito tempo tive medo do escuro e pude ver que tudo isso era em vão. Não é escuro no inferno, mas colorido e vivo como o presente que vivo hoje. Tudo era exatamente do mesmo jeito e tudo se movimentava na mesma velocidade, mas eu parecia estar diferente, mais calma, mais devagar. E por mais que odiasse não tinha escolha, passei alguns anos por lá.
Quanto mais velha eu era, mais achava que não. E comecei aperceber que as coisas andavam ao contrário, cronologicamente. Eu crescia e parecia estar voltando no tempo. Me sentia como uma criança que precisa de proteção, que quer sempre os brinquedos que quebraram, e sempre os parentes que foram embora. Ismália enlouqueceu e eu queria ir com ela.
Quanto mais nova eu era, mas frágil era. Sinto vergonha quando olho para trás e vejo a mancha negra que ficou no caminho, mas não foi de propósito. Eu tentava sobreviver em meio ao mundo que me exigiam, atitudes e ações que todos esqueceram, ou quase todos, e que eu nunca vou esquecer. Antes era tudo divertido, tudo lindo. Tudo limpo! Me sinto um elefante, bem grande, com uma cabeça bem grande e um coração partido.
Quanto mais velha eu era, pude perceber, sentada no chão com as lembranças, que na verdade eu não era nada. Eu simplesmente não era.
E agora não tenho coragem de ter esperança, e finjo que tudo vai ficar bem, por que na verdade eu não era. Mas eu queria muito. Queria muito ser quem não era, mas isso eu só aprendi quanto mais velha eu era. E quando enfim fiquei velha aprendi a ser alguém.